Coração cheio de amor', diz mãe que dedica a vida ao cuidado de pessoas carentes.


Ao lado dos filhos, Joana Cordeiro do Amaral fundou orfanato na década de 1980 e, atualmente, preside o Hospital de Retaguarda Francisco de Assis. 'Minha mãe tem muitos filhos', afirma Ângela.

Ao lado da cama, dona Joana conversa carinhosamente com Ana Luiza. A voz penetra os ouvidos e as mãos acariciam o rosto. Os olhos da menina se alegram, o sorriso se abre e a respiração fica ofegante. A quinta-feira é de festa. Ana completa 15 anos e quem passa por ela, cantarola versos do parabéns. “Você é meu anjinho. Deus abençoe você”, diz Joana.


A paralisia cerebral impede Ana de falar, caminhar ou se alimentar sozinha. A doença bloqueia a capacidade de executar as tarefas mais simples, mas há sempre alguém por perto que possa vir a seu auxílio. Uma delas é mãe Joana, a quem está sob os cuidados desde março de 2014 no Hospital de Retaguarda Francisco de Assis, em Ribeirão Preto (SP).

Mãe Joana, como é conhecida, dedica a vida a cuidar do próximo. Lá se vão 40 anos desde que chegou à cidade e começou o trabalho para o qual diz ter sido escolhida. Hoje, aos 64 anos, ela conta com a ajuda dos filhos, Isaías e Ângela, para dar continuidade à missão de dar dignidade às pessoas acamadas ou portadoras de doenças incapacitantes.

“Estou aqui com o coração cheio de amor. É preciso ter fé, viver pela fé. Esse trabalho mudou a minha vida”, afirma.

Vocação
Nascida em Tabira, interior de Pernambuco, Joana Cordeiro do Amaral chegou a São Paulo na década de 1970, com o sonho de estudar medicina. Deixou para trás a austeridade do pai, a madrasta e os nove irmãos para ingressar na universidade. Com a morte do pai, a família fez a partilha dos bens, mas ela preferiu ignorar a herança e batalhar com as próprias pernas.

Sem recursos, a medicina foi deixada de lado, mas não o desejo de cuidar das pessoas. Foi aprovada em um concurso público e passou a trabalhar no Hospital das Clínicas, onde atuou nas alas coronariana e de queimados.

“Eu ficava rezando demais na cama dos doentes e eles ficavam gritando por mim. Ganhei uma advertência porque ali não era função de freira, era de enfermeira. Cheguei na chefia e pedi demissão. Eu peguei isso como uma benção de Deus.”


Esperança
Sem descanso dia ou noite, feriado ou dia útil, dona Joana sente não poder fazer mais pelos doentes e pelos 75 funcionários que abraçam o trabalho. Hoje, 14 leitos estão ocupados, quatro deles por crianças como Ana Luiza. Mesmo sabendo como ninguém a importância da doação, ela reconhece que, no fundo, não gostaria de ser dependente para dar alívio a quem precisa.

“Sinto um peso muito enorme pelo fato de viver administrando miséria ou tirando leite de pedra. Muitas vezes eu fico até a madrugada sem dormir, em oração. Esses dias minha filha disse: mãe, está muito difícil essa cruz para a gente carregar. Sem recursos, sem dinheiro, sem nada. Como vamos fazer?”

Dona Joana segue a luta. Entre a dedicação total ao hospital, venceu um câncer no útero. Hoje, o corpo carece de cuidados com o diabetes, uma bronquite asmática e um problema no ombro, mas ela não desanima.

“Eu não sou santa. Eu sou a enxada na mão do agricultor. Tenho lutado por esses doentes, tenho passado fome. Mas uma coisa me traz muita alegria e gratidão: é ver que um número grande de pessoas gosta do trabalho da gente. Não tem uma pessoa que entre aqui para sair do mesmo jeito. Todos saem com a natureza mais humana, mais calmos, mais tranquilos.”

A filha Ângela compartilha do mesmo pensamento da mãe e apesar das dificuldades, não pensa em desistir. “Acredito que todo mundo que passa por aqui é transformado. Eu sempre me senti muito afortunada”.

Confira mais em: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/coracao-cheio-de-amor-diz-mae-que-dedicou-a-vida-ao-cuidado-de-pessoas-carentes-em-ribeirao-preto-sp.ghtml


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